terça-feira, 25 de maio de 2010



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ALIANÇA PMDB E PT FAVORECE CANDIDATURA GEDDEL E CONSOLIDA 2º PALANQUE

Miudinhas globais:
1. A anunciada aliança PMDB e PT no plano nacional para dar suporte à candidatura da ministra Dilma Rousseff nos estados e municípios, sem dúvida, reforça a candidatura a governador da Bahia do ministro Geddel Vieira Lima e praticamente consolida a tese defendida pelo PMDB da Bahia há meses, da existência de dois palanques no Estado com Lula/Dilma/Wagner; Lula/Dilma/Geddel.
2. A Bahia, evidente, não é o único estado nessa situação. E, se isso é bom para Dilma observando-se a estratégia imposta por Lula, de trabalhar unido no nacional em torno de uma causa, de um projeto comum, nos estados caberão aos candidatos administrarem suas campanhas com competências individuais, respeitando o objetivo maior.
3. O presidente Lula sinalizou, ontem, que não comparecerá junto com a ministra Dilma às campanhas eleitorais nos estados onde a aliança entre o PT e o PMDB não seguir essa dinâmica. Deixa claro, portanto, que as contendas regionais não devem atrapalhar o projeto nacional e que cada qual cuide do seu terreiro. Quem vencer o pleito salvaguardando essa tese será glorificado. Quem perder, não será abandonado.
4. Geddel entende que "essa atitude do presidente Lula, no caso da Bahia, evidencia seu respeito à justa postulação do PMDB baiano, que decidiu ter sua candidatura própria para submeter ao eleitorado seu projeto de desenvolvimento da Bahia". Ou seja, o presidente Lula respeita sua disposição de concorrer ao governo da Bahia e sabe que "essa é uma realidade política com a qual o PT baiano vai ter que lidar".
5. Essa é a teoria política. Na prática, só quando a campanha propriamente dita começar é que veremos como essa engenharia funcionará. Lula, recentemente, ao visitar as obras de Transposição das Águas do Rio São Francisco pilotadas por Geddel deu os primeiros sinais e passos, embora dissesse que não estava ainda em campanha, o que não convenceu o presidente do STF, nessa direção. Lá estiveram Lula, Dilma, Wagner e Geddel.
6. Wagner tem sido parcimonioso quanto a essa prática. Evita falar diretamente ao assunto, embora, como todo mundo sabe é PT e amigo do presidente. Mas, isso conta em termos uma vez que um Projeto Nacional, uma causa, exige compreensão e determinação e a amizade e um partido, individualmente, pesam dentro de uma relatividade. Caberão aos candidatos administrarem seus conflitos internos quer seja, "interna-corporis" PT x PT; ou "externa-corporis" PT X PMDB.
7. Lula, como patrono do projeto nacional, certamente não vai administrar esse tipo de conflito, salvo se atingir radicalismos impensáveis com repercussões diretas na campanha de Dilma.
8. Declarações duras de parte a parte entre Geddel x Wagner vão acontecer durante a campanha. Aliás, já estão ocorrendo. E, caberá ao eleitorado escolher o melhor para votar entre os preferenciais do palanque Dilma/Lula, lembrando que há um terceiro palanque Souto/Serra também disputando o pleito.
9. Como a eleição de 2010 ao que tudo indica se dará em segundo turno vê-se, hoje, duas tendências: Wagner e Geddel com Lula/Dilma x Souto com Serra. O que aconteceria num segundo turno Wagner x Souto e/ou Geddel x Souto? E se esse segundo turno for Wagner x Geddel? Equações que nem a madame Beatriz, famosa cartomante baiana saberia responder.
10. Mas, eu respondo: vai depender do desenrolar das campanhas nacionais e locais, das possibilidades de vitória Serra x Dilma e dos níveis dos embates baianos. Civilidade (se é que isso existe em campanhas) vai contar.
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11. Na solenidade desta noite em homenagem aos 20 anos da Constituição Baiana os ex-governadores da Bahia, Paulo Souto e Antonio Imbassahy não compareceram. Três outros ex-governadores estiveram no plenário: Roberto Santos, Otto Alencar e César Borges.
12. O governador Jaques Wagner também esteve presente e sentou-se à esquerda do senador César Borges. Trocaram algumas figurinhas. No centro da mesa, o presidente da Casa, deputado Marcelo Nilo. A esquerda de Nilo, o ministro Geddel Vieira Lima. E, à esquerda de Geddel o representante do prefeito João Henrique, o vice-prefeito Edvaldo Brito.
13. O tempo mostrou que é implacável. Muitos dos constituintes de 1989 eram de idade mediana e, hoje, ostentam cabelos brancos. Nossa, a turma dos cabelos brancos predominou. Mas, tinha uns disfarces. Diz-se que um dos melhores foi do atual vereador Alcindo da Anunciação. Boa tinta.
14. Entre os deputados estaduais de 1989 quatro deles ainda estão atuando na Assembleia: Luciano Simões, Jurandy Oliveira, Reinaldo Braga e Pedro Alcântara.
15. Daniel Gomes, constituinte dos mais espirituosos, marcou ponto numa cadeira de rodas. É a vida. A viúva de Fernando Daltro também usava uma cadeira de rodas.
16. Luis Pedro Irujo chegou atrasado mas marcou presença. Ao BJá disse que política nunca mais. Está cuidando de rádios da família e as empresas do pai, Pedro Irujo, este, em temporada na Espanha.
17. O assessor de imprensa da Assembleia, Paulo Bina, de gravata novíssima, lembrava que ele e Valmir Palma são os jornalistas ainda vivos que "cobriram" os trabalhos da constituinte. Os outros, já seguiram para a morada eterna: Silveira, Édson Alves, Irecê e Zé Mário Luna.
18. Pé de pato mangalô três vezes.
19. A solenidade foi emocionante. O reencontro dos deputados,
20 anos depois, trouxeram muitas recordações. 20. O orador Celso Castro, bom de palanque sem ser deputado, citou os poetas Castro Alves e Chico Buarque e ainda recitou trechos do "Vozes D'África". Mas, exagerou quando disse que 90% da população baiana é constituida por negros.
21. Já o deputado Pedro Alcântara, com toda sua experiência, ficou nervoso na hora do discurso.
22. E o coral Vozes Reveladas da UFBA deu uma desafinada ao cantar "Coração de Estudante" que foi de amargar. Na hora de entoar o "Hino ao 2 de Julho", uma lástima.
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23. Para quem estava acostumado à velha expressão "locomotiva" do Brasil, atribuída a São Paulo, começa a surgir uma novidade: o Nordeste como "locomotiva"do desenvolvimento econômico nacional.
24. Essa é a expectativa do ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), um dos responsáveis pelas obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) que beneficia diversas regiões do pais e que tem uma vertente importante no Nordeste citado no blog de Paulo Henrique Amorim.
25. Essa é um pouco demais amigo ministro. A gente não tá conseguindo por um metrô na linha imagina pegar São Paulo!
26. No último dia 20, o superintendente da Sucom, Cláudio Silva, tinha sido convidado pela promotora Cristina Graça Seixas, do MP, para explicar sobre o funcionamento da boite Maria João na Rua São Paulo, na Pituba, e que causa transtornos enormes aos moradores. Lá não pisou os pés.
27. A promotora então resolveu notificá-lo. Agora, vai ter que ir senão estará desobedecendo uma autoridade judicial.
28. Comenta-se que o Município de Salvador estaria propenso a instituir feriado municipal pelo Dia da Consciência Negra, 20 de Novembro. E depois, será que instituirá o Dia da Consciência Indígena?
29. Já circula em Salvador alguns carros com adesivos e os dizeres: - Visite Salvador antes que acabe. 30. "É necessário uma relação dialética e a dialógica entre contexto histórico social político e cultural e o currículo escolar", segundo a historiadora Tânia Miranda. Spu burro mesmo! Não entendi nada!
31. O major da Polícia Militar, Vanderval Menezes Ramos, com experiência no setor e com um vasto currículo de comando e sub-comando, é o novo superintendente de Trânsito de Feira de Santana. Já José Marcone Paulo de Souza deixa o cargo, porém continua no governo Tarcízio Pimenta, na condição de assessor.
32. A mudança está ocorrendo de maneira natural, dentro das perspectivas de alterações administrativas que visam atender melhor as necessidades do governo.
33. "Marcone tem uma grande experiência administrativa e política, e continuará ao nosso lado. Ele já foi vereador e superintendente da Previdência Municipal, além de ter ocupado a SMT, tendo, portanto, qualidades para continuar fazendo parte da equipe", salienta o prefeito Tarcízio Pimenta.
34. O major Vanderval Menezes Ramos já foi sub-comandante do 1º BPM, onde também exerceu a função de Comandante da Companhia de Trânsito, quando os militares ainda trabalhavam no setor. O novo superintendente de Trânsito já exerceu o comando de companhias da PM em Senhor do Bonfim, Praia do Forte e Cruz das Almas. Comandou ainda o Batalhão de Senhor do Bonfim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ILHÉUS ABRE O VERÃO COM PANAMERICANO DE SURFE
21/out/2009 . 17:52 Autor: Domingos

A praia de Batuba, em Olivença, vai receber atletas das três américas
A Praia de Batuba, em Olivença, vai sediar, de 7 a 14 de novembro, o maior evento de surfe das américas. É o Pan American Surfing Games, que vai reunir cerca de 300 atletas de 20 países no Sul da Bahia. Na manhã dessa quinta-feira, às 8h, no Opaba Praia Hotel, em Ilhéus, uma entrevista coletiva com os organizadores vai esclarecer os detalhes da competição.
O evento acontece pela primeira vez no Brasil e abre, oficialmente, o verão 2009/ 2010 da Terra da Gabriela.
Além das competições, o projeto é integrado por shows e programas sociais. O Pan American Surfing Games será transmitido ao vivo pela internet e terá cobertura de sites, revistas e programas de televisão especializados, a exemplo da ESPN e Sportv.
O patrocínio é da Bahia Mineração, Petrobras, Bahiatursa, Azul Linhas Aéreas, Governo da Bahia e Prefeitura de Ilhéus. O evento aconteceria, originalmente, em Salvador, mas foi transferido para a Terra de Gabriela por interferência do patrocinador master da competição, a Bahia Mineração (Bamin).

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

DO BLOG PIMENTA NA MUQUECA

ELEIÇÃO EM ITAPÉ SÓ EM MARÇO

Nesta terça, interessados diretos na questão diziam que a eleição no município de Itapé só deve acontecer em março.

Os pré-candidatos, até aqui, são Humberto Matos (PV) e Jackson Rezende (PP).

A eleição em outubro deu Pedrão (PMDB), que teve o registro de candidatura cassado por irregularidades em prestação de contas do governo à União.

PESQUISA

A prefeitura fez pesquisa para definir seu plano de mídia e no meio jornal há uma não tão grande surpresa. Informações vazaram e a liderança de A Região foi confirmada. O caçula dos três maiores impressos, o Diário Bahia (ex-Diário do Sul), rivaliza com o Agora na condição de vice-líder.

E esta é a surpresa. O plano da direção do caçula, tocado pelo jornalista Valdenor Ferreira, é chegar ao topo - sem pressa e tudo planejado.

CACAU BATE EM R$ 100,00 A ARROBA

O preço do cacau alcançou, nesta terça, o equivalente a R$ 2.735/tonelada na Bolsa de Valores de Nova Iorque. No eixo Itabuna-Ilhéus, o produto atingiu o melhor preço dos últimos anos, R$ 100 a arroba.

Mas os produtores estão preocupados e dizem que a falta de chuvas no segundo semestre de 2008 vai comprometer a safra do temporão, de maio a setembro.

Do A Região

SORTEIO DA MEGA-SENA DE R$ 20 MILHÕES SERÁ EM ITABUNA

Será hoje, às 19h, em Itabuna, o sorteio do prêmio de R$ 20 milhões para quem acertar as seis dezenas do concurso 1045 da Mega-Sena. O Caminhão da Sorte encontra-se estacionado no Jequitibá Plaza Shopping.

Segundo estatísticas da Caixa Econômica, o número 51 é o mais sorteado em 1044 concursos até aqui. São 123 ocorrências. Em segundo lugar vem os números 5 e 33, que já apareceram 122 vezes em sorteios. As dezenas 41 (121), 42 (119) e 17 (117) aparecem em seguida. O número menos sorteado é o 9, com 80 ocorrências.

O apostador tem até as 18h (local) para fazer a fezinha e concorrer ao prêmio que corresponde a três mil anos de trabalho para quem recebe o salário mínimo (o novo) de R$ 465,00. Até domingo, todas as loterias federais serão sorteadas em Itabuna. Entre 9 e 16 de fevereiro, será em Ilhéus.

AMURC

Depois de muitas idas e vindas e trocas de acusações, a eleição na Amurc não terá bate-chapas.

Há pouco, Jonathas Ventura (PMDB-Barra do Rocha) e Moacyr Leite (PP-Uruçuca) selaram a paz e vão unidos para a eleição da entidade, programada para esta quinta-feira, 5.

Moacyr é o candidato a presidente e Jonathas ficará na vice-presidência.

Como adiantou o Pimenta, essa foi a saída para irregularidades nas chapas inscritas ontem (confira).

sábado, 3 de janeiro de 2009

O REGGAE, DA JAMAICA AO MARANHÃO: PRESENÇA E EVOLUÇÃO

IV ENECULT - Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura
28 a 30 de maio de 2008
Faculdade de Comunicação/UFBa, Salvador-Bahia-Brasil.
O REGGAE, DA JAMAICA AO MARANHÃO: PRESENÇA E
EVOLUÇÃO
Maria do Carmo Lima Morias¹
Patrícia Carla Viana de Araujo²
¹ Pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA
madocalimo@hotmail.com
² Pós-graduanda em Jornalismo Cultural pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA
patyviana2005@hotmail.com
RESUMO
A hibridização cultural é um dos elementos estruturantes das sociedades contemporâneas.
Resultado de encontros e desencontros múltiplos, onde as mais diversas práticas culturais interagem entre
si., tornando-se uma categoria chave para a compreensão da produção das identidades e dos sistemas
simbólicos. Como essas práticas não são estáticas, novas interações são redefinidas e interferem nas
identidades regionais
O objetivo deste trabalho é fazer uma descrição do reggae em São Luis/Maranhão tomando como
base o reggae na Jamaica. Através de uma perspectiva sócio-histórica, prospectaremos os elementos que
contribuíram para sua evolução e consolidação na cidade de São Luís, bem como o processo de
construção no imaginário social, mediante situações concretas registradas e legitimadas na mídia local.
Palavras Chaves: Reggae, Identidade, Cultura e Mídia Local.
INTRODUÇÃO
Embora o reggae seja de origem jamaicana, São Luis o incorporou dentro de suas práticas festivas
e sua programação cultural, influenciando as relações de interação já existentes; e como conseqüência
criou-se um novo mercado de bens e trocas simbólicas. Desde sua chegada a Ilha de São Luís há 30 anos,
criou-se na memória coletiva local uma imagem de semelhança entre as duas ilhas, o que faz muitas
pessoas acreditarem que realmente São Luis é a Jamaica Brasileira.
Essa alteração não se restringe apenas ao imaginário, bem como na ordem social, o que reflete no
comportamento das pessoas, na cadeia de relações desse “bem” dito cultural. Seu processo de apreensão
alterou sua forma, podendo ser analisado por vários aspectos. Por obedecer a regras e códigos próprios
estabelecidos ao longo desse processo, o público local alterou a lógica de produção, recepção e consumo
desse produto.
Os elementos originais que constituem o objeto propiciam transformações diversas. As
potencialidades desse ritmo são suficientes para interferir nos processos culturais locais, mas é lenta para
atribuir uma representação de identidade cultural local, apesar da exploração dos principais veículos de
comunicação. Faz-se urgente, portanto, conhecer os processos que interferem nessa apreensão, bem como
entender o que levou os ludoviscenses a apropriar-se desse estilo musical e o considerarem parte de sua
identidade.
Nesse aspecto, acreditamos serem os processos de globalização um dos principais elementos
causadores de mudanças de valores e sentidos atribuídos às culturas nacionais, até então isoladas, que por
um motivo ou outro ultrapassam as fronteiras e adquirem inúmeras representações no mundo. É um
fenômeno visto na sociedade contemporânea que provoca mudanças na identidade cultural pela intensa
interação com que se dão essas relações. Todas essas mudanças em torno das identidades têm gerado uma
crise de representação, não havendo mais padrões limitados para representar a realidade, tudo é válido,
resultando em uma crise ética e estética.
Nesse contexto, surgem as diferentes formatações do reggae no mundo, articuladas às
circunstancias e espaço, desestruturando sua estrutura originais, com abertura para novas articulações,
possibilitando uma nova reconstrução, resultando em um produto fragmentado inserido em um outro
contexto social. Daí o interesse em pesquisar as formas de apropriações locais do reggae e como esse
gênero musical passa a ser incorporado e como reorganiza as práticas culturais da cidade.
JAMAICA - ORIGEM E IDENTIDADE
O reggae saiu de uma ilha de proporções medianas e ganhou visibilidade e representações na
cultura mundial. É um gênero musical de origem jamaicana resultante da mistura de ritmos africanos,
indígenas e europeus misturados desde a colonização da Jamaica. Descoberta por Cristovão Colombo em
1494, esta ficou sob o domínio espanhol por mais de um século, até 1660 sendo mais tarde tomada por
piratas ingleses. Na condição de colônia, recebeu uma grande quantidade de negros da África Ocidental
para suprir a carência de mão-de-obra extinta com a intensa política de exploração e extermínio do sistema
colonial para realização de atividades compulsória no Novo Mundo.
Lá o tráfico de escravos foi abolido mais cedo e em 1962 conseguiu libertar-se oficialmente do
domínio inglês. Atualmente é uma famosa ilha caribenha, sua forma de governo é a monarquia
constitucional, e o chefe de Estado é um monarca, a Rainha Isabel II. Mesmo assim as tradições desses
povos foram mantidas, como a prática religiosa, dança e a música, elementos emblemáticos desse povo e
que estão intimamente ligados dentro da cultura jamaicana, representados no Rastafarismo e no Reggae
Music, duas expressões subjetivas que marcam a identidade desse local.
Passando por diversos estilos, desde o seu surgimento, o reggae pôde experimentar novas
perspectivas musicais e instrumentais trazidas pelos colonizadores da região e adaptá-las à sua realidade
social e histórica. Assim sendo, suas letras são compostas numa língua mista, o crioulo jamaicano,
resultado de encontros múltiplos que se deram ao longo da história do lugar, uma marca de hibridismo
cultural.
Situada no miolo da América Central, a ilha podia captar, via rádio, sons que eram produzidos por
negros de algumas cidades norte-americanas, como Nova Orleans e Miami. Na década de 50, o Rhythm
and Blues estava no auge, e em Kingston (atual capital da Jamaica) e Spanish, esse era o som que mais
agradava os jamaicanos, estes se identificaram bastante com esse gênero musical e misturaram-no aos
sons de tambores produzidos em rituais religiosos.
A influência desse ritmo foi de grande importância para a produção do primeiro estilo musical, o
Mento, uma espécie de musica folclórica com características próprias de seu povo, que o misturaram aos
sons dos rituais rastafari e ao vocal do blues; assim os tambores afros ganharam o radio e foi o início de
um movimento de revalorização da identidade cultural da ilha. Num outro momento, quando a ilha já era
independente, surge o Ska, com uma batida mais acelerada que a anterior e caracteriza principalmente, um
movimento de afirmação identitária.
Acompanhando a evolução do reggae surge o Rock Steady, que semelhante ao rock in roll,
inclusive no nome, tinha uma forte influência das grandes bandas americanas. Por fim, o Roots,
considerada a era de ouro do reggae e de grande importância, por vários motivos, dentro desse processo
evolutivo.
O reggae Roots, chamado também de reggae de raiz, é um estilo que retrata todas as lástimas
trazidas com a modernização da Jamaica, como o desemprego, a falta de moradia, as condições de
trabalho precárias , não correspondendo com as expectativas da população após a independência. Atrelado
à filosofia rastafari, manifestava um sentimento de rebeldia e descontentamento, o qual foi sendo
destacado nas letras das músicas Bob Marley, um dos principais ícones da musica jamaicana, foi o elo
entre o reggae e a filosofia rasta, projetando o movimento para além das fronteiras territoriais. Além
destas características, o Roots é marcado primordialmente por sua fidelidade rítmica ao reggae jamaicano
tradicional.
Até hoje o reggae evolui e acompanha as tendências da música moderna, mas mesmo assim as
tradições desse povo ainda são mantidas, traduzindo uma visão de mundo e sentimentos coletivos de seu
povo transmitidos ao longo desses anos, de geração para geração, sem comprometer sua identidade. A
evolução musical na Jamaica é muito rápida e atualmente o reggae tocado e produzido lá ainda é o
Dancehall, uma versão eletrônica do reggae aliado à tecnologia digital, acompanhando as tendências das
grandes indústrias norte-americanas que ainda controlam o mercado e detêm esse poder dentro do cenário
musical mundial.
Assim constituiu-se o reggae, da heterogeneidade de povos, com uma característica própria
desenvolvida ao longo dos anos e das gerações que o transmitiram e agiram dentro das suas possibilidades
de forma a não comprometer a identidade de seu povo. Carregado de sentidos e valores, o reggae para os
jamaicanos não se restringe apenas a um gênero musical, a lazer ou entretenimento, vai muito além; é uma
condição de vida que lhes proporcionam um sentimento de patriotismo, de luta e denuncia. A força de sua
gente, assim como a de toda a África, é de uma abrangência imensurável que se transporta para todo
mundo. O reggae é a materialização dessa força e, aparentemente, desperta em todos os povos o mesmo
sentimento como ele foi idealizado.
Enquanto o reggae consolidava-se na Jamaica, este se projetava internacionalmente,
acompanhando a esteira das grandes bandas de rock como Beatles, Rolling Stones, dentre outras, o reggae
passou por inúmeras adaptações até chegar aos padrões comerciais exigidos pelos produtores e pela
indústria. O padrão ideal era caracterizado pelo uso mais destacado da guitarra, dos teclados e dos
instrumentos de sopro; além de colocar à frente da banda um representante, o vocalista. Bob Marley ficou
conhecido como uma figura emblemática do reggae, por estar á frente de sua a banda, The Wallers. A
intenção dos grandes produtores que estavam por trás das primeiras bandas de reggae era atingir um
grande número de pessoas, que já tinham sua base no público do rock. Obedecendo a um dos princípios
básicos e fundamentais da indústria cultural, que é a padronização e a transformação de uma cultura em
produto, o reggae conseguiu atingir um gosto médio, senão o mundo todo, e adquiriu diversas formas e
resignificações.
Ao articularem o reggae com a indústria, o que deu visibilidade a ele e, principalmente à uma
cultura terceiro mundista considerada “isolada” do resto do mundo em que na sua maioria são pessoas
negras; aquilo que era local passou a ser global de forma que os agentes culturais puderam compartilhar
sua cultura e seus talentos criativos, articulando suas posições às circunstancias que lhes foram dadas.
Portanto podemos dizer que o reggae hoje trás consigo todos os elementos característicos do mundo
industrial moderno. Para Renato Ortiz (1981 p.87) “essas relações de mediação são necessárias no
processo de construção das identidades nacionais, pois são os mediadores quem deslocam as
manifestações culturais de sua esfera particular e as articulam a uma totalidade que as transcendem”.
Nessa perspectiva industrial, o reggae que antes era apenas uma arte anônima, transformou-se em
um produto que ganhou visibilidade no mundo e atingiu um grande número de pessoas, embora despidas
de suas características individuais como etnia, classe, religião e até mesmo de país, tratados como um todo
homogêneo. Uma vez que foi retirado de seu lugar de origem, perdeu sua razão de ser e esvaziou-se de
sentido; tanto aqueles que o reproduzem, quanto o próprio público que com ele entra em contato, deixa de
estar vinculados existencialmente àquilo que de fato significa.
REFLEXOS DO REGGAE EM TERRAS BRASILEIRAS “JAMAICA BRASILEIRA”
A popularidade do reggae expandiu-se bastante desde o seu surgimento e foi revivido em vários
países, inclusive no Brasil. Aproximadamente na década de 60 foi identificado algo próximo ao estilo,
uma tradução do Ska na época da Jovem Guarda com Renato e seus Blue Caps e Wanderléia; nos anos 80
o grupo Os Paralamas do Sucesso começa a divulgar mais o ritmo, e na década de 90 surgem outras
bandas. O reggae é tocado hoje, de norte a sul do país, e cada lugar se identificou de forma diferenciada,
como é o caso de São Luis, que há mais de 30 anos acolheu o ritmo jamaicano.
Para o Maranhão, o reggae trouxe uma semelhança rítmica com uma das maiores e mais antiga
expressões da cultura popular local, o Bumba-meu-Boi, uma síntese das culturas africanas, indígenas e
européias. É difícil e contraditório definir exatamente quando e como esse ritmo veio parar no maranhão e
o porquê de tamanha identificação. Segundo Ademar Danilo, atual apresentador do programa de televisão
África Brasil Caribe, a origem do reggae no Maranhão é de uma origem não comprovada, não há
ninguém, não há nenhuma pesquisa que indique a data da chegada do reggae no estado; são vários fatores
que contribuíram para que ele chegasse até aqui e pra São Luis ser conhecida como Jamaica Brasileira.
Para Zé Orlando1, existe uma forte semelhança entre São Luis e a Jamaica; a grande maioria da
população é negra, clima, modo de vida, além do reggae. Os mais antigos, principalmente os da zona
rural, afirmam ter conhecido o reggae através dos sons captados, via ondas de rádio, no final da década de
60; enquanto outros tiveram contato com a música através de LPs trazidos em navios que aportavam nos
portos da capital em meados da década de 70.
Essa variação de acesso em relação ao objeto investigado, até hoje não comprovada, é importante,
na medida em que contribui para a reflexão sobre que elementos de ligação há entre São Luis e a Jamaica
e quais foram (são) os processos e estratégias utilizadas, ao longo desses anos, para fazer de São Luis a
“Jamaica Brasileira”. Zé Orlando diz que a versão de que o reggae teria vindo para o Maranhão através
das ondas de rádio coincide com a verdadeira história do reggae na Jamaica, o que para ele é um mito
difuso para fazer com que as pessoas acreditem que São Luis é realmente a “Jamaica Brasileira”.
Segundo Ademar Danilo2, no estado já havia uma predominância de ritmos caribenhos nas regiões
do Pará/Maranhão como: a lambada, o merengue, a salsa, o bolero, entre outros; ritmos esses que eram
tocados em clubes que tem o perfil dos clubes de reggae de hoje e veiculados nas chamadas radiolas, um
aparelho de som gigantesco. O fato de os ritmos caribenhos terem guarida no Maranhão confirma a
aceitação do ritmo jamaicano, embora os freqüentadores dos clubes não soubessem de que ritmo se
tratava. Aos poucos o reggae foi sendo introduzido na programação musical dessas casas, através dos
discotecários, muito conhecido nesse cenário como especialista em músicas desse gênero. Esses discos,
raros, eram trazidos de fora do estado ou do exterior a preços altíssimos, o que dificultava o acesso do
público com o ritmo sendo possível ouvi-lo indo apenas nos clubes.
Os clubes e as radiolas tiveram um papel fundamental no processo de evolução e consolidação do
reggae no estado, pois dinamizaram e popularizaram este gênero musical, principalmente na capital; em
contrapartida, centralizou-o nas mãos de poucos. Com isso, um mercado cultural foi estruturado em torno
1 Integrante da banda Tribo de Jah
2 Radialista, apresentador de programa de reggae na tv e produtor cultural
deste produto, com regras e leis próprias, aonde os empresários (donos de clubes e de radiolas) viviam
disputando público, visibilidade, exclusividade, e principalmente o lucro.Essa disputa por mercado e pelo
capital, fez muitos donos de radiola ficarem ricos e poderosos, e ao perceberem que o produto dava lucro
investiram cada vez mais nas radiolas; quem tivesse mais tecnologia e músicas exclusivas, conseguia
atrair mais público. É um campo de jogo de forças, de confrontos, de tensão, em que seus mediadores
negociam e interage o tempo todo
Nenhum campo é estático, todos são dinâmicos e se modificam, à medida que os seus agentes
interagem, manipulando o objeto de acordo como ele lhes é apresentado (BOURDIEU, 1997,
p.57)
Todo esse processo de troca se dá no campo da mediação e nas relações estabelecidas entre seus
mediadores; esses campos são identificados a partir desses atores sociais, que mantinha (ou matem) uma
hegemonia, embora momentânea, nesses espaços sociais, cujos interesses econômicos prevaleciam. Hoje,
eles transitam em todas as esferas da sociedade e deslocam-se, com facilidade, para outros campos,
inclusive projetando-se na política, como Pinto da Itamaraty, empresário nesse ramo e atualmente
vereador, e Ademar Danilo que foi eleito vereador em 1992.
Todas as estratégias de mercado e as interferências acima citadas resultaram numa mudança na
sua lógica de produção, circulação e consumo, que não é a mesma da Jamaica. Quando isso ocorre com
um produto cultural, seu formato original é a alterado, e o mesmo produto pode receber diversos sentidos
e mudar seu valor de troca, adquirindo parte desse processo e perdendo um pouco de sua identidade. A
forma como o reggae foi apreendido e como ele é manipulado aqui no Maranhão, difere-se dos outros
lugares do Brasil e ele é diferentemente assumido conforme varie o local.
A mídia ocupa um lugar estratégico neste processo e está diretamente ligada não somente à
distribuição do produto, mas também à sua produção. Contrariando a lógica da cultura midiática, o reggae
circulou primeiramente em ambientes próprios, os clubes, para depois ganhar as rádios. Somente na
década de 80, surge o primeiro programa de rádio especializado em reggae. Estes tiveram um papel
fundamental para a consolidação e democratização do ritmo jamaicano em São Luis. Embora houvesse
um mercado estruturado e fechado, que era o dos donos de radiola, era possível ouvir e reproduzir
algumas músicas, o que quebrou um pouco a hegemonia desses empresários.
Outro aspecto que merece ser destacado aqui é que, os apresentadores que estavam à frente do
programa, Ademar Danilo e Fauzy Beydoun3, tinham a preocupação em traduzir as letras das músicas, já
que estas eram em língua inglesa, para que a população soubesse mais da essência do reggae e eles
esclareciam um pouco do movimento na Jamaica. Hoje, a maioria dos programas de rádio pertence aos
“capitalizados” donos de radiola, para divulgar suas radiolas e clubes de reggae, além dos programas de
televisão. Apesar de a mídia local operar na relação de produção, divulgação e consumo, não são
suficientes por que a influencia dos empresários ainda é muito forte, o que descaracteriza o produto na sua
origem. As relações que se dão entre a mídia e o reggae é um jogo bem mais complexo porque se trata de
uma série de negociações, complexas e multifacetadas, entre a cultura local e a cultura midiática,
propondo que há uma enorme variação de acessos. Zé Orlando comenta sobre a forte influência dos donos
de radiola na cena reggae de São Luis: “Acho que os radialistas deveriam se preocupar em dar mais
informações aos consumidores (público/regueiros) e não somente ficar fazendo propagandas de radiolas
ao longo dos programas”.
A população tem uma preferência por um estilo específico do reggae, dentre os que foram citados
em outro momento, o roots, que além de coincidir com o momento em que ele estava surgindo na Jamaica
e com sua aparição no Maranhão, foi o estilo que o consagrou no mundo. Para os maranhenses este estilo
de reggae é a verdadeira expressão do movimento reggae, com mensagens de cunho político, econômico e
social atrelado à filosofia Rasta e, principalmente por manter uma fidelidade rítmica ao tradicional reggae
jamaicano. Não há quem se reporte ao reggae roots sem associá-lo á Bob Marley, um dos principais, se
não o principal, ícone da música jamaicana. Em resposta ao som mecânico, radiola, e seguindo o estilo
reggae roots, em meados da década de 90 começam a surgir bandas nacionais na capital.
O público da radiola era consistente e exigente, só queriam saber de reggae internacional, mesmo
sem entender o que as letras diziam; com isso, as primeiras bandas maranhenses enfrentaram muitas
dificuldades em apresentar-se em shows e principalmente produzir discos, não era interessante para os
donos de radiolas investir ou trabalhar em conjunto com essas bandas e dividir o lucro, quando ele toca
simplesmente um disco, muitas vezes tocado em mais de uma festa ao mesmo tempo, e ganha o lucro
sozinho; essa prática dura há mais de 35 anos, e os lucros são ainda exorbitantes. A primeira banda de
reggae a formar-se foi a Tribo de Jah, hoje conhecida internacionalmente como uma banda genuinamente
maranhense e identificados como uma banda de reggae da Jamaica Brasileira. Martin Barbero(1997,
p.108) destaca que “a indústria cultural assimila a cultura local, devolvendo sob outras formas, o que já
existe no mercado “
Ao perceber que havia um gosto pelo ritmo jamaicano, às bandas locais começaram a se organizar,
3 Integrante da Tribo de Jah e ex-radialista de programa de reggae em radio local
e consequentemente a indústria. Mas esse processo ainda é lento, no que diz respeito ao envolvimento das
grandes indústrias, e muitas bandas ainda continuam no anonimato, visto que os investimentos são
poucos, o preconceito ainda perdura e a disputa de público e mercado é constante; o que não era de se
esperar, já que é São Luis é a “Jamaica Brasileira”. Muitas dessas bandas são totalmente independentes,
com muito material e pouco recurso financeiro, como a Banda Guetos, que tem mais de 15 anos de
formação, muito conhecida no circuito reggae local, mas que até hoje, só teve 1 (um ) CD gravado.
Na música, pode ser esclarecedor pensar em tradução cultural; descreve-se como um conjunto
de princípios de tradução tanto quanto (ou mais) um conjunto de dispositivos de imitação.
Também tem uma grande vantagem de enfatizar o trabalho que tem que ser feito por
indivíduos ou grupos para domesticar o que é estrangeiro, em outras palavras, as estratégias e
as táticas empregadas. (BURKE, 2003, p.59 )
A legitimação dessa cultura fez com que a forma de julgamento do reggae fosse variada, e seu
sentido interpretado de diversas maneiras. Como o fator de identificação percorreu outra via, a periférica,
muitos viam o reggae como algo prejudicial ao bem estar social e moral.
A alegação era freqüente de que os espaços onde ele circulava eram locais de concentração de
marginais e desocupados, além da suspeita de porte de armas e consumo de drogas. Por ser uma música
produzida por negros e haver uma identificação com os negros de são Luis, a elite dominante da época,
bem como as autoridades e a imprensa, associavam o reggae à violência, bloqueando com atitudes, muitas
vezes violentas, a proliferação do ritmo na capital.
Outro aspecto que contribuía para esses comportamentos, era a localização e estrutura dos clubes, a
maior parte deles era na periferia da cidade e em condições precárias, mas que para seus freqüentadores
era o único espaço disponível de lazer que condizia com a sua condição de negro e pobre. Era um espaço
de identificação racial, social e econômica
O reggae é a raça que faz... É o negro que faz. Algumas pessoas dizem que
quem freqüenta o reggae é só ladrão, é só marginal. Mas na verdade não é só isso, o reggae é
uma música que envolve a gente... A gente vai para curtir, é um espaço de paz, de você
dançar, tomar sua cerveja e ficar numa boa... Muitos que não entendem o reggae ficam
falando besteira, mas a gente não pode contribuir com a besteira deles. O reggae é uma
música do negro. (ZÉ MARIO, 1995, p.107)
A forma como uma cultura é apropriada está diretamente ligada ao julgamento e ao gosto, e estes
são resignificados na produção das trocas simbólicas. Todo mercado simbólico é um campo marcado pelo
mediador, inteiro produtor de sentido que interage num mesmo ambiente social; são eles que julgam,
consagram e institucionalizam os bens “ditos” culturais. Ao legitimar um produto, estes interferem no
imaginário social, de forma que a sociedade se reconhece nele e por ele designa-se uma identidade.
A mídia é um exemplo de mediação que interfere no imaginário social e articula os processos de
construção de uma identidade. Indignado com a idéia que circulava nos meios de comunicação de massa,
principalmente a rádio, de São Luis estar sendo definida como Jamaica Brasileira, Ubirajara Rayol
publicou um artigo no Jornal da Tarde que provocou grande polêmica:
No momento em que os meios de comunicação maranhenses passam a cognominar à nossa
São Luis não mais de “Atenas Brasileira”, mas de Jamaica Brasileira”, urge que se repudie
tamanho e tão deplorável abuso (...) Não se conhece na história da Jamaica, feitos nos campos
da letras, artes e ciências. (Jornal da Tarde, 01/06/91)
Extremamente preconceituoso este artigo revela a resistência às manifestações culturais produzidas
pela população negra, resultante da herança das relações de escravidão deixadas desde a colonização. As
formas de representação do imaginário social estão relacionadas às referencias históricas, em constante
construção, organizando uma nova ordem social e ordenando novos comportamentos.
Contudo, as fronteiras estabelecidas no contexto das relações socioeconômicas, que envolve o
reggae durante todo o seu processo de apropriação e adaptação no estado, têm sido cada vez menores. A
ruptura de fronteiras entre a cultura de elite e periférica, a quebra do grande divisor, é comum nas
sociedades contemporâneas.
O reggae, devido seu caráter híbrido e espontâneo, permite a interação dos agentes sociais,
independente de sua classe social, raça ou religião, em um mesmo ambiente social. Um exemplo é o
Espaço Cultural África, situado numa área nobre da cidade que mantém todos os elementos pertinentes ao
reggae resignificado em São Luis e retrata o tipo de público que circula nesse circuito. Como o próprio
dono, Ademar Danilo, descreve: “é freqüentado, na grande maioria, por jovens universitários acima dos
25 anos, classificados socialmente como público esclarecido e qualificado, que preferem um tipo
específico do reggae, o Roots”. A programação da casa é totalmente voltada para o ritmo reggae, mas,
eventualmente, são inseridos em sua programação outros estilos como a salsa, o merengue, e
manifestações culturais popularmente maranhenses como o bumba-meu-boi e o tambor de crioula.
Dentro desse cenário de hibridismo cultural, onde a tradição (cultura popular) e a tradução (reggae
maranhense) interagem em um só ambiente, relações sociais estas características de uma sociedade
contemporânea, aonde os interesses comerciais, lazer e entretenimento, ou simplesmente de identificação,
interagem constantemente.
Hoje, o Reggae está articulado a movimentos estudantis, culturais, sociais e a alguns órgãos do
estado, como a Prefeitura de São Luis que realiza um projeto através da Secretaria Municipal de Turismo -
SETUR, que tem por objetivo promovê-lo como produto turístico, por meio do fortalecimento de sua
identidade, valorização dos costumes locais, da articulação e integração dos seguimentos, visando à
satisfação dos visitantes, comunidade e agentes dos seguimentos do Reggae em São Luis. Ainda que não
prevaleça um caráter de organização política, como há em outras capitais brasileiras que se apropriaram
do ritmo, o reggae é importante para que se possa pensar em uma mobilização da população negra de São
Luis atrelado ao seu papel dentro dessa sociedade.
5. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRANDÃO, N. H. Helena. Introdução à análise do discurso. 7. Ed. Campina: Editora da
Unicamp, 1998.
BURKE, Peter. Hibridismo cultural. São Leopoldo, RS: Ed. Unisinos, 2003.
BOURDIEU, Pierre. O poder Simbólico. Lisboa, Ed. Diefel, 1989.
CANCLINI, Néstor García. Culturas híbridas – Estratégias para entrar e sair da
modernidade. 3ª ed. São Paulo, SP: Editora da Universidade de São Paulo, 2000. 385 p.
(Ensaios Latino-americanos, 1).
CORONA, Renato – A história do Reggae.
GEERTZ, Clinford. A interpretação da culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A Editora,
1998.
__________. Da diáspora: identidade e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora da
UFMG, 2003.
MARTÍM BARBERO, Jésus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia.
2. Ed. Rio de Janeiro, RJ: Editora UFRJ, 2001.
ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira e identidade Nacional. 3°Ed. São Paulo, Ed.
Brasiliense,1981.
RODRIGUES, Adriano Duarte. A partitura invisível: para uma abordagem interactiva da
linguagem. Lisboa: Edições Colibri, 2005.
REVISTA CONSTRUIR NOTÍCIAS. Relações Étnicos-Raciais. N. 28, ano 2005.
SEVERINO, Joaquim José. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2002.
SILVA, da S. R. Carlos. Da terra das primaveras à ilha do amor: reggae, lazer e identidade
cultural. São Luis: Ed. EDUFMA, 1995.
T. Adorno e M. Horkheimer. Dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Ed.Jorge Zahar,
1985.
DOC. ON LINE:
http// www. Reggae e Cultura Popular Maranhense: sincretismo e identidade.
http// www. Wilkpedia.com.br

Dionorina o bom de reggae ao classico

Firma Produções/A Península - Quando e como você decidiu seguir o caminho do reggae?
Dionorina - Já havia escutado a música no programa de Big Boy - Ritmos de Boite, na Rádio Mundial nos anos 70, mas não sabia que era reggae e não sabia quem cantava a maioria das músicas. Lembro-me de Jimmy Cliff cantando Vietnã. Ouvindo essa música vinda de ruas de chão batido em Feira de Santana- Bahia, e participando dos ensaios de Afoxé Pomba de Malê no Bairro da Rua Nova, onde está a maior concentração da cultura Afro-Ameríndia de Feira de Santana, uma cidade de 700.000 habitantes onde nos guetos da Rua Nova, moram aproximadamente 40.000 pessoas, aquela música onde o baixo sempre repetia as mesmas frases e a guitarra fazendo uma base diferente do normal me chamou a atenção e a partir de então comecei a estudar os textos, de quem era e o que dizia. Daí descobri o reggae. Música que denuncia as diferenças sociais. Música de cunho espiritual. De conscientização e de entretenimento na qual tenho a mesma afinidade de cunho social, político e verdades onde me pauto para fazer a minha música falando sempre a verdade com a música reggae.
Firma Produções/ A Península - No início de sua carreira (10 anos de idade) qual era o repertório que você cantava na rádio de Feira de Santana?
Dionorina - Nelson Gonçalves, Adelino Moreira, Altemar Dutra e outros.
Firma Produções/ A Península - Quais as influências de Dionorina?
Dionorina - De Bach, Beetoven, Stravinsky, Smetack, Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimmi Hendrix, Mahavisno e Orquestra, a João Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento e sem dúvida, Bob Marley e de meu conhecimento musical.
Firma Produções/ A Península - Quem compõe as músicas que você canta? Como funciona as apresentações, quem acompanha Dionorina no palco?
Dionorina - Minhas composições sempre tem parcerias nos textos, em sua maioria, ou interpretações de músicas de compositores que tenho afinidades. As apresentações se dão única e exclusivamente através de contratações com cachê fechado pois temos custos com estúdios de ensaios e transportes dos músicos e instrumentos, além dos custos de produção que temos para cada show que efetuamos. Atualmente, estou subindo ao palco com nove músicos me acompanhando.
Firma Produções/ A Península - Na sua opinião, qual a maior dificuldade que uma banda de reggae encontra para conseguir se destacar e ter o seu trabalho reconhecido?
Dionorina - Todas as dificuldades possíveis por ser uma música que fala de verdades e uma música que não vira moda. Com a vinculação da maconha há ainda uma maior discriminação.
Para o reconhecimento há a necessidade de se fazer uma boa música, ter conhecimentos musicais e tocar com bons músicos. Só intuição musical não basta. Ou dinheiro para comprar a mídia. Vira sucesso em dois dias.
Firma Produções/ A Península - Você se identifica com a cultura Rastafari? Qual a filosofia sua.
Dionorina - Não me identifico. Sou um reggaeman. Minha filosofia é mostrar a verdade através do meu canto, minha visão social e política. Onde o que falo em minhas músicas sempre é a verdade do que vejo, do que sinto e do que sou.
Firma Produções/ A Península - Você freqüenta as festas e eventos ligados ao reggae?
Dionorina - Algumas vezes. Sempre que possível.
Firma Produções/ A Península - O que você acha da moda de ter show de reggae junto com show de forró? Você encontra alguma ligação nesses dois estilos musicais?
Dionorina - Para o público talvez seja um atrativo a mais. O reggae e o xote são ritmos das lembranças africanas. Mas quando é um Show só de reggae ou só
de forró o público é mais especifico.
Firma Produções/ A Península - Falta espaço para o reggae brasileiro no cenário musical nacional?
Dionorina - Sim. Da mídia. E a não veiculação da música reggae nas programações musicais de todas as rádios.
Firma Produções/ A Península - O que ainda falta pro reggae deixar de ser “underground” e estourar
no mercado?
Dionorina - Justamente o dito anteriormente. Espaço na mídia.
Firma Produções/ A Península - Qual a política de Dionorina em relação a maconha?
Dionorina - Sou um Senhor de 50 anos e preciso manter meus neurônios despertos.
Firma Produções/ A Península -Quais as bandas de reggae internacional e nacional que você escuta?
Dionorina - Todas possíveis.
Firma Produções/ A Península - Com qual artista gostariam de dividir o palco em um show?
Dionorina - Todos os grandes músicos. Não há assim um nome específico.
Firma Produções/ A Península - Fora o estilo musical reggae, o que toca no seu cd player?
Dionorina - MPB, Instrumental, Música Erudita. Meu gosto é amplo e eclético.
Firma Produções/ A Península - Você acredita que as estruturas montadas para shows de reggae, assim
como as pessoas envolvidas na produção de eventos relacionados ao estilo, valorizam o trabalho do músico e das bandas?
Dionorina - Na maioria, não. Somente eventos com profissionalismo e critérios de produção é que tem essa preocupação o que está cada vez mais raro em nosso país, infelizmente. Uma boa parte é composta de pilantras. Falta respeito com o artista e profissionais envolvidos. O amadorismo anda tendo mais retorno.
Firma Produções/ A Península - Qual a maior dificuldade que você encontrou até hoje?
Dionorina - Dinheiro para produção.
Firma Produções/ A Península - Qual foi o melhor show de Dionorina?
Dionorina - Gostaria de citar dois momentos muito importantes para mim. Tocar para 100.000 pessoas em Itabuna no Trio Elétrico Planeta Reggae e receber o convite para ser o homenageado no ano de 2004, no Carnaval antecipado com o Tributo a Dionorina e tocar para a elite de produtores musicais da Europa em evento fechado a beira de uma piscina na Bahia. Foi marcante e um novo momento registrado e galgado em minha carreira. Estarei sendo representado por eles na Europa no próximo mês de outubro em grande evento.
Firma Produções/ A Península - Com a internet, hoje em dia o acesso a tudo fica mais fácil e rápido.
Qual a sua opinião a respeito de mp3 e a troca de músicas pela internet?
Dionorina - É a máquina do tempo. A mesma música que toca aqui, toca no Japão, na Lua ou em qualquer lugar do Universo em tempo real.
Com relação as mp3?s, para divulgação é uma maravilha e se houver comercialização que o artista esteja ciente e autorize ou não, dependendo de seu interesse comercial, visto que ele sobrevive de seu trabalho como qualquer profissional.
Firma Produções/ A Península - Como você descreveria o movimento reggae na Bahia? Quais locais você indica?
Dionorina - Não tenho acompanhado o movimento regueiro baiano há praticamente três anos. Em Salvador, no Pelourinho, há um espaço de reggae e que tem boas sessões. Tem também o Rock in Rio Café. Foi o que vi superficialmente. Não tenho outras informações.
Firma Produções/ A Península- Aqui fica um espaço para que a você deixe uma mensagem.
Dionorina - Que a força da luz direcione nossos caminhos para o bem. E que em breve estarei no ensaio do Bloco Planeta Reggae ai em Barra Grande com o show Dionorina INCONCERT de Villa Lobos a Bob Marley e desejar boa sorte ao novo prefeito que é negão Pito boa sorte e muita luz.

BLOCO PLANETA REGGAE



HISTÓRICO
O Planeta Reggae foi criado em 1996 por um grupo de amigos e foliões do carnaval, amantes do ritmo reggae. Assim, o publicitário Paulo Fumaça, que já tinha experiência em produzir shows de reggae em Feira de Santana, Itabuna, Itacaré, Ilhéus e Salvador reuniu-se com os amigos Nilvan Rusciolelli, Dr. Eduardo Fontes, Bob Lú, Edvaldo e o cantor Dionorina para juntos partirem para o primeiro desafio que foi lançar o bloco, o que tiveram como resultado a resposta positiva do público carnavalesco . Não deu outra, o domingo do carnaval de 1996 foi apoteótico, pois só deu reggae na avenida e os componentes da banda Tribo de Jah se apresentaram no Trio Espacial e encantaram a todos, sendo reverenciados pelo público.

QUEM JÁ PASSOU PELO PLANETA
Pelo Planeta Reggae já passaram grandes nomes do reggae nacional e baiano como Edson Gomes, Tribo de Jah, Dionorina, Fauzy Beydoun, Jorge de Angélica, Ébano, Banda Raízes, Dread Raiz e Americana Mooley Roses.